Canetas Emagrecedoras: Revolução ou Risco? GLP-1 e Mounjaro
Médico explica o que são, para que servem e os cuidados necessários com os populares medicamentos injetáveis para perda de peso.
A Nova Era do Emagrecimento: De Antigos Medicamentos a Inovações GLP-1
O universo do emagrecimento tem sido palco de constantes inovações, e as chamadas “canetas emagrecedoras” se tornaram o assunto do momento. Longe de serem novidades mirabolantes, esses medicamentos representam a evolução de tratamentos que visam controlar o peso corporal, a exemplo de fórmulas mais antigas, como a alfebramona e a sibutramina. O Dr. Fabrício Brito, médico nutrólogo e especialista em medicina estética, explica que as primeiras gerações de medicamentos atuavam em neurotransmissores, como a noradrenalina, ou inibiam enzimas, muitas vezes com efeitos colaterais significativos, como aumento do risco cardiovascular ou problemas gastrointestinais graves.
“A indústria, aos poucos, migrou para medicamentos que atuam na linha da insulina e do controle da glicose”, comenta o Dr. Brito. Essa transição culminou no desenvolvimento de análogos do GLP-1 (peptídeo-1 semelhante ao glucagon), hormônio produzido naturalmente pelo corpo, mas com meia-vida muito curta. A grande sacada da indústria farmacêutica foi criar versões sintéticas de ação prolongada, inicialmente voltadas ao tratamento do diabetes tipo 2.
Medicamentos como Saxenda e Victoza foram pioneiros nesse campo, utilizando semaglutida em uso diário. Posteriormente, a semaglutida passou a ser administrada semanalmente por meio de produtos como Ozempic e Wegovy (nome comercial do Ozempic para emagrecimento). O impacto desses medicamentos no controle da glicemia e, surpreendentemente, no emagrecimento foi revolucionário, com perdas de peso que chegavam a 16%, superando em muito os 4% a 5% alcançados por tratamentos anteriores, que frequentemente resultavam em reganho rápido de peso.
A evolução não parou por aí. O Mounjaro (tirzepatida) surgiu como uma inovação ainda maior, ao combinar o GLP-1 com outro hormônio intestinal, o GIP (polipeptídeo insulinotrópico-dependente de glicose). Enquanto o GLP-1 foca na inibição do apetite e no controle glicêmico, o GIP desempenha um papel crucial na preservação da massa muscular. “O Ozempic, por exemplo, podia levar à perda de até 40% da massa muscular. Já o Mounjaro, ao incorporar o GIP, limita essa perda a cerca de 25%, permitindo uma perda de peso mais expressiva, que chega a 23% em doses mais altas”, detalha o médico.
Além dos benefícios no emagrecimento e no controle do diabetes, esses novos medicamentos demonstram um perfil de segurança cardiovascular, renal e hepática superior ao de seus antecessores. Estudos e aplicações práticas também exploram seus usos “off-label” para condições como lipedema, endometriose e síndrome do ovário policístico, sendo a aprovação para apneia do sono um marco importante.
O “boom” dessas canetas se deve, em grande parte, aos resultados visíveis e rápidos. “A perda expressiva e rápida de peso corporal, com pouquíssimos efeitos colaterais, geralmente gastrointestinais, como queimação e náusea, explica a alta demanda e o preço elevado desses medicamentos”, afirma Dr. Brito. A comparação com os efeitos colaterais mais severos de medicamentos antigos, como enjoos intensos, vômitos e dores de cabeça, reforça o apelo das novas fórmulas.
Resultados Expressivos:
Quem Pode Usar e os Cuidados Essenciais: A Disciplina é a Chave
Apesar de sua eficácia, a indicação dessas canetas não é universal. O Dr. Fabrício Brito ressalta que, enquanto os análogos de GLP-1 mais antigos (como Ozempic) podem ser usados por uma faixa etária mais ampla, o Mounjaro é restrito a pessoas com 18 anos ou mais. O perfil ideal inclui pacientes com diabetes tipo 2, para os quais a medicação representa uma verdadeira revolução terapêutica, e pacientes com sobrepeso com comorbidades ou obesidade (IMC acima de 30), de acordo com as diretrizes da indústria.
“O acompanhamento médico é fundamental”, enfatiza o especialista. Os efeitos colaterais mais comuns, como náuseas, queimação no estômago, dor de cabeça, diarreia ou constipação, geralmente são passageiros e controláveis com orientação adequada. No entanto, a falta de supervisão pode levar a complicações sérias. “Quando não há acompanhamento adequado e a dose é alta, podem ocorrer casos graves, como a dilatação gástrica, rara, mas possível, especialmente se houver ingestão de álcool ou de energéticos, pois o medicamento retarda o esvaziamento gástrico”, alerta.
A perda de apetite e de sede induzida por medicamentos exige disciplina do paciente para manter a hidratação e a ingestão de nutrientes essenciais. A preocupação com a massa muscular, por meio de atividade física e suplementação proteica, é crucial para evitar o “efeito sanfona”. Sem mudança de hábitos, o reganho de peso após a interrupção do tratamento é uma realidade frequente, pois a fome retorna e o metabolismo pode estar mais lento devido à perda de massa muscular.
O risco de dependência psicológica também é um ponto de atenção. Dr. Brito observa que, embora ainda seja uma parcela pequena, já se nota uma mudança no comportamento de consumo, com redução no consumo de fast-food e de álcool. Contudo, para indivíduos com transtornos de imagem corporal, a busca por um corpo magro a qualquer custo pode ser perigosa, o que exige encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico e psicológico.
Quando a gente tira o medicamento, aquela fome volta a fazer parte da rotina do paciente. Se for um paciente que não teve preocupação com massa muscular, perdeu muita massa muscular no processo de emagrecimento, com certeza esse vai ter mais riscos, porque a taxa metabólica dele vai estar lá embaixo e aí qualquer coisa ele come, com certeza o peso vai aumentar.— Dr. Fabrício Brito
Uma contraindicação importante diz respeito ao uso concomitante com anticoncepcionais orais. Devido ao retardo no esvaziamento gástrico, a absorção do contraceptivo pode ficar comprometida. Nesses casos, métodos de barreira ou dispositivos intrauterinos, como o DIU de Mirena, são recomendados para garantir a eficácia.
Em suma, as canetas emagrecedoras representam um avanço notável na medicina, mas sua utilização exige responsabilidade, informação correta e, acima de tudo, acompanhamento médico individualizado para garantir segurança e resultados sustentáveis.
Este conteúdo está completo no programa Viva Melhor, no nosso canal no YOUTUBE da FQDTV. Clique aqui e conheça o nosso universo.
Assista na íntegra
Esta matéria é um resumo do programa. Veja o episódio completo no YouTube e inscreva-se no canal FQDTV Bem-estar para não perder os próximos.
▶ Assistir ao episódio completoInscreva-se no canal FQDTV Bem-estar
Entre para a Comunidade FQDTV
Receba os episódios novos, bastidores e promoções dos programas que você curte.
